quinta-feira, 7 de março de 2013

bite me

em troca, os braços mordidos, navegando na trilha enferrujada que escorria pelos seus pelos
evocarei os sonhos, as promessas. nosso culto em busca de um deleite veloz que falsamente me preenchia. cria em fantasias reais. penas. consumia carnavais perenes. plenos.
nas nossas fronteiras costuramos pesadelos. e era acalento.
prolongo a dor, porque de tudo foi o que restou. me faz ser nós. te despenca em mim e me arrepia.
espasmo que me traz à vida. caminha de mãos dadas ao que me aniquilou.
flagelo lustrado e ânsia pela fricção
busco tons de lilás em olhos alheios e saberei quais são os seus.
conheço o corte causado por sua lambida áspera. a espessura do liquido que escorre entre as pernas.
arrebentado os laços procuro construir nós com o resquício de nossas vísceras.
digerindo estranhos. continuo aqui, na mesma esquina.
prefiro apodrecer ao seu lado.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

2602

e é tudo uma grande caminhada rumo ao fim.
meu.
seu e mais do que sempre, nosso
antes de mais nada, tudo.

me dá um cigarro, um abraço
e fim.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

sobra

sempre falta algo.
sempre.
falta algo.
algo falta, sempre.
sempre falta.

sempre sobra vazio. v a z i o. sobra vazio. sempre vazio.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

sons de branco


restos de coisas nenhuma.                                                                   sombras de ninguém. corcundas da anunciação subitamente se erguem. paranoicos.                                                                                         me desfiz depois de engolir aquela meia dúzia de tentativas raivosas.             só gemidos sórdidos me trilham.                                                           entre a sujeira deixada e o caos da minha sanidade impiedosa.
sua comida está sangrando dilacerada.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

o blues que me tem

as noites de blues me aconchegam. me levam a um lugar que é raiz e voo.  me lembram porque e me questionam. posso parar ou caminhar léguas. e me fazem ter certeza de que sou a mesma. mas estou muito diferente. no final de tudo, sou uma garota do interior interessada em ouvir almas. e nada como o blues.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

misericórdia

esgotei. não foi preciso vasculhar para encontrar esse monte de nada. por aqui, sujeira branca, espelhos quebrados e a falta do ar. lagartos sorrateiros passeiam e tecem meus olhos. pela fenda dos pesadelos crio asas de morcego e me viro do avesso.
agonizando. cuspindo maldições e flores.
ainda te procuro. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

1401

um lugar onde vocês nunca me encontrarão: em cima do muro

e do lado de cá (ou de lá) fica bem complicado conviver com quem monta na mureta

daí, prefiro os opostos