terça-feira, 17 de agosto de 2010

insones dedos

A solidão sempre lhe soou familiar,
Aprendeu a conviver com o gigante tamanho da cama
Os pés gelados e o vazio do abraço
pelas noites vagava procurando aplacar dores que lhe sorriam pálidas, recordava-se de imagens dançando soltas
Ruidosas e plásticas,

possuia as unhas roídas e os restos daquelas flácidas canções imaginárias
anéis apertados contrastavam com a imensidão do seu corpo solitário
suas lagoas eram secas;
Repetidos abandonos
absinto
e versos desafinados

terça-feira, 10 de agosto de 2010

depois das 11

antes de tudo, eu precisava morrer

Passou das 5
Passou o dia
Parou a noite

E você não voltou

antes de tudo, mais nada

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

lugar nenhum

Estou exausta
E sei que você também está

Estou sangrando
E sei que você não sangra


Minha exaustão te quer estreito
A tua, te larga dos meus olhos
Para onde tu não tateies meu sangrar
Para onde o vento te carrega, eu não existo.

Guia-me contigo
até o lugar onde eu não existo?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

imagens

O que me sustenta;
palavras que você vomitou antes de bater;
os retalhos do toque pardo
e o dourado 


o veneno que me acalenta
nas horas intransponíveis desse dia maldito
os restos de pedaços
e a ferrugem;

além das vespas,
que cospem amargo

as dores que insistem em permanecer

sábado, 10 de julho de 2010

solidão

habito um silêncio ensurdecedor
sinto calafrios nas noites mornas em que fujo da sua teia;
esquecida à margem da  moléstia
me sobraram as pernas amolecidas


o reverso e avesso desconcordante do que simulamos amor


...acabamos sozinhos

terça-feira, 29 de junho de 2010

outrem

Aqui estamos de novo sozinhos. Tudo isto é tão lento, tão pesado, tão triste…Logo estarei velho. E então, chegará o fim. Veio tanta gente ao meu quarto. Deixaram tanta coisa e não me disseram nada. Foram embora. Envelheceram, coitados, vagarosamente, cada um no seu canto."


L.F. Céline,

miss you

Confesso que tentei te ligar,
Ansiava por teus olhos me fitando
Pelo morrinhar das nossas brigas
a fúria desgovernada que lançou aquele cinzeiro
e do retalho eternamente marcado
Vejo você chegando,
reclamando da bagunça, trazendo aquela fome absurda e as risadas das bobeiras da vida
questionando minha infelicidade
Ora se culpando
Na maioria me julgando insana

versos repetidos soavam frescos,
foram tantas certezas
E não era para sentir tanta saudade
transbordou o descuido ao amor e
a beleza da cicatriz

pelo olho mágico percebo que não há ninguém no corredor
aquela velha labirintite piorou,
ando tropeçando nos buracos que você deixou...