munida de feridas doces e partidas
sonhadas lambidas comidas
feridas choradas, dançadas, curtidas
feridas repetidas
queridas escravas exaltadas, sonhadas
malditas
mal entendidas
carcomidas
roídas
feridas amadas lembradas
desejadas;
ferindo você
de saia rodada
segunda-feira, 5 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
dor - parte 103
esgotei. não foi preciso vasculhar para encontrar esse monte de nada. por aqui, sujeira branca, espelhos quebrados e a falta do ar. lagartos sorrateiros passeiam e tecem meus olhos.
espero pelo seu último e longo suspiro, rápido e curto demais
balas são cuspidas pelos seus olhos
lembro do cheiro do gosto
e a beleza na nudez de uma alma aflita
maldita
que grita
por mais
um pouco
de paz.
espero pelo seu último e longo suspiro, rápido e curto demais
balas são cuspidas pelos seus olhos
lembro do cheiro do gosto
e a beleza na nudez de uma alma aflita
maldita
que grita
por mais
um pouco
de paz.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
natimorto
pensar em você é como parir um poema . sofrido e que me arromba as entranhas. me estoura as vísceras, arrebenta por dentro. mas depois de expelido, mães invariavelmente lambem suas crias. mesmo sujas e gosmentas. nojentas aos olhos de quem não sente. ninguém passa impune a um parto. é preciso lidar com o feto não abortado. o pensamento nascido. e a conseqüência do filho da dor. é preciso sobreviver ao pensamento em você.
presença que falta
restos de coisas nenhuma. sombras de ninguém. corcundas da anunciação subitamente se erguem. paranoicos. e nada mais faz sentido depois de engolir aquela meia dúzia de tentativas raivosas. só gemidos sórdidos me trilham. a sujeira deixada e o caos da minha sanidade impiedosa. seu alimento está sangrando dilacerado.
fendas facas e fuidos
mate-me por favor
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
(an) danças
Faziam-se danças daquelas pernas entrelaçadas
Pernas paralíticas
Membros que só se moviam para bailar os passos destes movimentos sórdidos
Bailarina da indecência incandescente que esmagava seu coração destruído
Era ardor, abrasador.
Sua visão cegava,
E ela se entregava
Mais uma vez se via naquela coreografia maldita
E dançava descontrolada o baile fúnebre que lhe mantinha viva
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Cheers
Acabou a dor. A angustia e o medo.
Secaram as lágrimas, encerrou-se o pranto.
Aquele nó desatou. Foi-se a agonia. O tremor e o terror.
Acabou o sonho. O prazer e emoção.
Fim do tiro, mocinho e ladrão.
Encerrou o gargalhar sem cessar. Acabou a graça. Perdeu-se a vontade.
Sobrou o respirar, o acordar e alimentar. No mais, é um excesso de branco e um monte de coisa nenhuma.
Não há mais dor, nem vida.
Um brinde a sertralina.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
tempo
meses nós. meses sós. nesses quandos.
noites, resíduos e di(a)mantes
corpos cópulas copos
quebrem esses vidros e partam minh'alma
me livrem
daqui
algumas
horas.
nas horas atrás do tempo que estancou, meu sangue.
noites, resíduos e di(a)mantes
corpos cópulas copos
quebrem esses vidros e partam minh'alma
me livrem
daqui
algumas
horas.
nas horas atrás do tempo que estancou, meu sangue.
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